quinta-feira, 19 de agosto de 2010

a verdade da mentira.


a chuva cai lá fora, faz barulho, inunda o meu pensamento, encharca o meu coração. caem gotas, gotas puras e geladas. congelam o meu coração, transformam o meu sangue, fica sólido e perde a cor. o meu cérebro evapora, como? não sei, é estranho. e as minhas memórias, lembranças de uma curta vida, vão-se espalhando pelo meu corpo, como um ciclo, contínuo, um ciclo que não pára, circula cada vez mais rápido. estou na cama, tapada mas fria, como uma pedra de gelo, sinto a morte, aquele ser mau, feio e terrível. olho para a parede, vejo-a, a morte vem na minha direcção, fixada em mim. não tenho medo dela, pode vir, tentarei enfrentá-la, lutar contra ela sem desistir, sei que ela é mais forte que tudo, ela vencerá e eu irei com ela, de mão dada. mas vou lutar, tentar destruí-la só um pouco, é difícil, mas quero marcá-la, ela também se irá sentir mal, ficará com uma ferida, que cura em poucos segundos. a morte é forte, é de ferro, não se destrói nunca, não ganha ferrugem, será a morte uma pessoa odiada por todo este mundo? poderei eu ser a morte, e enfrentar o mundo sem olhar aos perigos? não quero. prefiro sofrer, prefiro ser magoada, mas ter alguém que goste de mim, me ame. a vida é feita, feita por nós, tem de tudo, já a morte: não tem nada, coisa abandonada.  acordei! era um pesadelo horrível, sinto o ar a fugir, não consigo respirar, mas era apenas um pesadelo, sobrevivi à morte.

Sem comentários:

Enviar um comentário